MHNJB: Relato da visita
A visita ao Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG foi uma experiência muito interessante. Nela, foram trabalhados diversos tópicos, desde a discussão acerca dos objetos, à natureza e trabalhos artísticos atuais e antigos.
Em um primeiro momento, assistimos no auditório um trecho do filme “2001: Uma odisseia no espaço”. A partir das cenas iniciais, que se passam na pré-história e do drops sobre os objetos e obras de arte, foi possível ampliar nossos conhecimentos sobre a concepção e as diferentes formas de uso possíveis de se fazer com os objetos. Nesse sentido, extrapolando a significação funcional dos objetos, discutimos o seu uso como ferramenta de defesa e como obra de arte. Os objetos não possuem um modo de uso fixo e unilateral, eles são livres e mutáveis, o seu uso deve ser ampliado através da experimentação humana, assim como foi feito no filme. Ademais, achei, particularmente, muito interessante a frase de Bertolt Brecht - “A função principal de todo objeto é destruir o inimigo” - a qual explícita muito bem o momento da evolução humana no qual os ossos deixam de ser somente ossos e se tornam uma ferramenta para defesa, dominação de territórios e sobrevivência. Assim, o uso dos objetos evoluiu até o ponto que os artistas podem utilizar materiais
“prontos” para transformar o seu uso e virar arte.
Posteriormente a turma foi dividido em dois grupos e prosseguimos com a visitação. Já havia visitado o Presépio do Pipiripau antes quando criança, mas a minha vivência foi bem diferente da anterior. Nessa visita voltei a minha atenção para aspectos mais pessoais do artista Raimundo Machado e para a estrutura por traz do presépio. Foi muito interessante ver todo o trabalho de uma vida, feito por alguém que colocou tanta energia e recursos em sua obra. É impressionante o esforço e dedicação de Raimundo, uma vez que são mais de 500 bonecos esculpidos manualmente com muitos detalhes e com articulações para se movimentarem, além da incrível casa de máquinas que vista da parte exterior surpreende pelo seu funcionamento e pela estrutura totalmente original, feita com fios, contrapesos e outras tecnologias da época, de modo que é ainda mais extraordinária quando é evidenciado que tudo foi feito manualmente. Quando o maquinário começa a funcionar, os movimentos entram em sincronia, mostram toda a história de Jesus e evidenciam ainda mais a riqueza de detalhes da obra. É uma bela herança deixada por Raimundo e com certeza é possível se conectar à sensibilidade do artista. Além disso, é muito interessante notar, em comparação com o filme e com a exposição de antropologia, a evolução das produções artísticas humans e o desenvolvimento da tecnologia e do uso dos objetos.
A exposição de arqueologia foi a continuação da visita, esse momento foi muito intrigante, principalmente ao refletir que são povos que habitavam a nossa região milhares de anos atrás e desenvolveram relações muito fascinates com os objetos. Ao observar os instrumentos foi possível ver como muitos deles possuíam uma função prática, como as flechas, facas e outros aparatos feitos de pedra, porém haviam outros que evidenciavam um significado mais complexo e tinha relação com crenças espirituais, como os vasos funerários, de modo que é possível perceber a importância para além da função que os materiais tinham. Além disso, foi muito interessante ver produções mais artísticas desses povos pré-históricos, dado que me fizeram refletir sobre como esse seres humanos antigos também são seres humanos como nós e possuem sentimentos, criatividade e dons próprios.
O último momento da visita foi quando cada um saiu para explorar a área botânica do museu livremente e fazer 5 desenhos de observação rápida e um mapa de seu percurso. Foi bem interessante caminhar por esse espaço, tendo contato com a natureza, observando atentamente e fazendo os desenhos. Entretanto, devido a limitações do tempo só consegui fazer quatro desenhos e não consegui caminhar por uma área muito extensa. Mesmo assim gostei muito da experiência como um todo e acredito que foi muito proveitosa, pois quando paramos em algum local para desenhar, observamos com muito mais atenção e notamos detalhes que geralmente passariam despercebidos.
Por fim, gostaria de destacar a beleza natural do Museu. Achei impressionante a vasta área de vegetação que existe dentro de Belo Horizonte, local no qual é possível ver diversas espécies de pássaros e plantas, jabutis e diferentes insetos. Fazendo uma comparação com o Inhotim, é notável que no caso do museu as plantas, a natureza e os animais crescem de forma mais livre, conservando assim o estado natural. Em contrapartida, em Inhotim a natureza é quase que de plástico, controlada e regrada diariamente, ela segue regras de padronização que formam uma paisagem linda, porém, muito artificial.













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